quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Eleições 2014

Entre as muitas causas da criminalidade, está a legislação frouxa. Nessa eleição, a ONG Brasil Sem Grades quer começar a criar uma bancada de legisladores comprometidos com as mudanças do Código de Processo Penal e no auxílio às vítimas de violência. Inicialmente, temos cinco candidatos a Deputado (a) Federal de vários partidos e distintos Estados: Rio Grande do Sul: Paula Ioris – 4524 – PSDB •Representante na Serra da ONG Brasil Sem Grades. •O filho de 13 anos foi assassinado, em janeiro de 2012, em Caxias do Sul. •Mais informações: https://www.facebook.com/paula.ioris São Paulo: Marisa Deppman – 4516 – PSDB •O filho de 19 anos foi vítima de latrocínio, em 2013, mesmo tendo entregue o celular ao bandido. •Mais informações: https://www.facebook.com/Marisa.Deppman.4516 São Paulo: Keiko Ota – 4096 – PSB •O filho foi assassinado, em 1997, de forma brutal aos oito anos. Candidata a reeleição. •Mais informações: https://www.facebook.com/keikootadeputada Rio de Janeiro: Rodrigo Maia – 2587 – DEM •Apoiador do Movimento Gabriela Sou da Paz •Mais informações: https://www.facebook.com/RodrigoMaiaRJ Pará: Eleninson Santos – 7070 – PtdoB •Apoiador do Movida (Movimento pela Vida) •Mais informações: https://www.facebook.com/Dr.ElenilsonSantos Todos são pessoas que estão engajadas nas lutas da ONG Brasil Sem Grades. Dentro de suas possibilidades peço que os apoiem. Se você não mora em um desses locais, mas conhece alguém que more, por favor, repasse essa minha solicitação.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

O legado da Copa

Os médicos auscultam o coração, medem a temperatura, cruzam informações, requerem os exames, sempre com objetivo de obterem o melhor diagnóstico. A cura começa por aí: saber-se exatamente qual é o mal que aflige ao paciente. No que diz respeito à criminalidade, o brasileiro tem uma resposta. Todos respondem em coro – a culpa do aumento dos crimes reside na falta de educação e na má distribuição de renda. O Governo concorda com essa ideia, e, por isso, cria os “territórios da paz” e programas semelhantes. D’outra sorte, libera a nossa legislação já liberal por si, uma vez que não temos criminosos, mas excluídos sociais. Deixar frouxo o semiaberto e não controlar as tornozeleiras é consequência. Apesar dos inegáveis sinais de melhoria nos indicadores sociais dos últimos anos, a nossa taxa de criminalidade continua crescente. Aí surge a dúvida – o diagnóstico estará correto? Há muito tempo a ONG Brasil Sem Grades diz que, quando falamos em criminalidade, a educação que nos falta é aquela que se adquire em casa. Temos de cumprir com nossas obrigações e respeitar os direitos alheios. Coisa de pai e mãe, coisa de berço. Por outras razões, é óbvio que precisamos melhorar a nossa educação e a distribuição de renda. A outra vertente é infundir respeito às autoridades e às leis. Mostrar ao infrator que seus atos terão consequências. Isso se faz com policiamento ostensivo nas ruas e vagas nas cadeias. São Paulo que persegue esse modelo tem os melhores índices de violência, mercê de seu tamanho enorme e das grandes diferenças sociais. Nunca se viram tantos policiais em Porto Alegre como nos últimos dias. A Brigada Militar recebeu inúmeras câmeras para fazer monitoramento eletrônico. A pergunta é: como ficaram os nossos índices de criminalidade? Reduziram-se ou não na grande Porto Alegre? Quem tem razão afinal? Para nós, o legado da Copa indica que o cerco aos criminosos e o controle da impunidade funcionam. Para muitos, o mais difícil de tudo talvez seja aceitar isso.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Conviver sempre. Enfrentar Jamais!

Quando Jango caiu, a inflação anual andava pelos 90% ao ano. Não quero entrar em discussões históricas ou acadêmicas sobre os quês e os porquês disso. Feita a revolução de 64, atacados vários problemas que causavam essa anomalia econômica, acabou surgindo a primeira indexação – a correção monetária para preservar a poupança. Achava-se, naquela época, que a inflação tinha um “ladinho bom”: acelerava o crescimento. Portanto, precisávamos conviver com isso. O ovo da serpente fora posto no ninho para ser chocado. A sopa de letrinhas cresceu por trinta anos. Criamos o INPC, o IGPM, o “overnight” e sei lá quantas mais. Cada índice adequado a um determinado setor, sempre na ideia de conviver com o problema dos aumentos de preços, que foram pulando de patamar em patamar. Os assalariados viam a cada dia seu poder de compra diminuir. Dessa reclamação, vários planos foram idealizados. Na hora de pôr em prática aparecia o problema. Combater a inflação tinha vários aspectos ruins, não era algo que poderia ser feito sem choro nem ranger de dentes. Quem teria coragem? Até Fernando Henrique, ninguém! A partir de 1980, a criminalidade começou a crescer por conta do núcleo familiar que havia se desfeito com o surgimento da pílula e das mudanças no comportamento sexual. Nascia uma geração sem respeito a qualquer tipo de valor. Fizemos o quê? O jeito brasileiro. Tratamos de achar modos para conviver com a insegurança – as grades, os muros, as câmeras de vídeo, os condomínios fechados etc... Ninguém até hoje conseguiu pôr na cabeça das pessoas que quem ENSINA português, matemática, ciências é a escola. Quem EDUCA são os PAIS! Agora chegamos ao futebol. Não podemos mais ter jogos com duas torcidas adversárias. Estamos matando o esporte nacional. Futebol é a partida, mas é também a flauta, o trote, a brincadeira, o puxar uma carroça junto com os amigos derrotados e os adversários tirando sarro. Isso é vida. Isso é uma saudável bobagem. Torcida única, metade dessas lindas arenas vazias é conviver com a baderna. As mulheres têm um pouco de razão. Está faltando homem. Homem com “culhão” e com coragem. Os órgãos de segurança pública têm de identificar os baderneiros, impedi-los de comparecer a jogos de futebol. Depurar as organizadas. Ser duro. Enfrentar, enfrentar, enfrentar, até que, em se acabando as causas, acabem-se os efeitos.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Uma esperança para a sociedade brasileira

Paula Ioris de Oliveira, representante da ONG Brasil Sem Grades na Serra Gaúcha, perdeu seu filho Germano, 13 anos, em janeiro de 2012. Ger, como era chamado, retornou da praia onde estava de férias com a sua família. Estava ansioso para rever seu amigo Vinícius Fernandes, que também voltava de férias. No dia 24 de janeiro, visitou o amigo para comemorar o aniversário dele, ocorrido na semana anterior. Neste dia, dois ex-empregados do pai de Vinícius, Gilson Fernandes, assassinou os três e jogou os corpos em um precipício. Mas ela soube transformar a dor e a tristeza em força para ajudar outras pessoas, para melhorar a sociedade e para continuar acreditando que é possível superar uma perda tão dolorosa. Sua batalha começou de forma pessoal. Ela e o marido, Rogério de Oliveira, iniciaram em 24 de janeiro de 2013 a ação ?Fazer o bem no dia 24?, em homenagem ao filho. Com o passar do tempo, aquilo que era apenas uma tentativa de seguir em frente se transformou em algo muito maior. Eles passaram a oferecer apoio a outras famílias vítimas de violência por meio de reuniões, caminhadas e encontros. A receptividade do público, os convites para participar de eventos, programas de TV e rádio, entre outras aparições públicas acabou transformando o casal em porta-voz das famílias vítimas de violência. Nessa trajetória, surgiu a necessidade de externar e levar a dor e o sofrimento desses pais aos espaços de decisão. Foi assim que Paula foi convidada e decidiu aceitar o desafio de entrar na vida pública. Concorrerá a Deputada Federal, no Rio Grande do Sul, pelo PSDB. Suas bandeiras serão a revisão do Código Penal e de Processo Penal e a reforma e mudança no atual sistema prisional. Formada em Psicologia pela UCS e com experiência em gestão de empresas, a pré-candidata a Deputada Federal, Paula Ioris, representará as demandas de pessoas vitimadas pela criminalidade e impunidade em todo o país. Nascida em Caxias do Sul e casada há 25 anos com Rogério de Oliveira, é mãe também de Guilherme.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Cara Presidente, com todo respeito, discordo!

Adolescente, na década de 60, ajudava nas férias o departamento de pessoal a envelopar dinheiro vivo, para o pagamento dos funcionários. Ato contínuo, colocávamos sobre o balcão uma porção de canetas e algumas "almofadinhas" que serviam para atender aos analfabetos. Passados cinquenta anos, vi muitas creches, escolas, algumas até de tempo integral, e várias universidades serem construídas. Vi também nascer a merenda escolar, o vale refeição, o vale transporte, o vale leite, vale gás, bolsa família. Temos, claro, um oceano a percorrer até atingir um nível satisfatório de ensino, mas, olhando assim de longe, muita coisa melhorou. E a nossa criminalidade como ficou? Piorou e muito. Hoje temos quase três vezes mais assassinatos por cem mil habitantes do que naqueles tempos. E a campanha do desarmamento dos últimos anos? Também não trouxe qualquer alívio significativo. O avanço na educação e na redução da miséria não se transformou em melhoria na segurança pública, porque não existe essa relação direta que vive sendo apregoada. A senhora pode querer enraizar o fim da violência com incentivo à educação, mas a “escola da vida” que já definiu a mentalidade dos pais de jovens que hoje estão envolvidos com o crime, não vai mudar. E esses jovens veem seus pais impunes, se convencem de que o crime prevalece e acreditam que dependem dele para sobreviver. Como vamos convencer essas famílias que a ir pra escola, a essa altura do campeonato, vai ser mais produtivo a elas do que ganhar um bom dinheiro com serviços sujos? A formação social, relacionada diretamente ao cumprimento efetivo de penas rigorosas a quem comete crimes, é uma prioridade que está sendo esquecida. Primeiro temos que mostrar que o sistema funciona, para depois dar alguma credibilidade a nossa educação. Em São Paulo, são assassinadas 9,3 pessoas por cem mil habitantes. Lá, embora o gigantismo das cidades e do próprio Estado, as coisas melhoraram muito nessa década. No nosso amado Rio Grande, que se nega a construir novas cadeias e aumentar os efetivos policiais, nosso índice é de 16,3. Quer dizer que nossa situação social e educacional é 75% pior do que lá? Parabéns pela redução da miséria, parabéns pelos esforços em melhorar a educação e distribuição de renda. Infelizmente, a criminalidade no RS só cairá quando colocarmos as dez mil pessoas já condenadas, na prisão. Enquanto isso, elas farão o que sabem fazer - cometer crimes.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

O comodismo que choca

O Brasil acordou de seu berço esplêndido de forma avassaladora pela segunda vez em um período exato de 30 anos. Em 83, quando o povo saiu às ruas para reivindicar as Diretas, e recentemente, para protestar contra o aumento das passagens de ônibus. Ambas as situações foram bem diferentes, porém se assemelham, e muito, por suas motivações. Elas ocorreram após um período de despertar profundo, em que decidimos usar a força coletiva para tentar resolver um problema que nos assombra há anos: a omissão. É chocante observar como as coisas só mudam por aqui quando o nível de saturação dos problemas atinge um nível caótico. Precisamos sempre aguardar por cenários praticamente irreversíveis para nos mexer. Saímos do lugar quando a realidade nos afeta duramente, seja no nosso círculo social, nos nossos sonhos ou mesmo no nosso bolso. Enquanto não chega o momento em que não temos pra onde correr, vale sempre a pena insistir no jeitinho, na fé cega do brasileiro por mudanças da noite para o dia. Minha história de vida está ligada a uma perda que eu jamais esquecerei. Foi assim que eu acordei. Creio que várias pessoas devem ouvir repetidamente a narrativa da morte do meu filho com total tédio. Não as culpo. Outras muitas devem sentir um breve momento de pena. Também não reclamo. Faz parte da nossa cultura. Enquanto não sentimos na pele uma ponta de arrependimento pelo nosso fracasso coletivo como sociedade, nada faz sentido. Basta uma breve inspiração que, inconscientemente, alguém irá pensar: “Antes ele do que eu”. As pessoas se chocam se eu lhes mostrar o vídeo da Campanha Chega de Braços Cruzados, que recentemente completou um ano. Assistir, mesmo que de forma ficcional, o velório de uma jovem, é realmente perturbador. Contudo, mais perturbador do que é isso fazer exatamente o que o roteiro da cena indica: nada. Que me chamem de louco aqueles que acreditam ser muita audácia jogar isso ao vento. Loucura para mim é acordar todos os dias sabendo que não posso mudar a única coisa irreversível da vida. Serei louco até o fim de meus dias. A única coisa que busco hoje é evitar que os outros tenham de lidar com a impotência imposta pelo que é definitivo. Só lamento ter que assistir o Brasil despertando de tempos em tempos, nos intervalos de muita risada, pizza e bola na rede.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

A crônica de um fracasso

Saiu o relatório “Mapa da Violência 2013”, das mortes matadas por armas de fogo na última década. No período, mudamos a lei do porte de armas, fizemos um plebiscito, muito debate, muita propaganda, muito dinheiro público foi gasto na compra de armas da população e a que ponto se chegou? A lugar nenhum! No início do milênio, começamos com cerca de 34.985 mortes por ano, e terminamos 2010 com 38.892. Em termos percentuais sobre a população de 100.000 habitantes, que é a forma usual de medir esses dados, passamos de 20,6 casos para 20,4. Mudança insignificante. Pessoalmente não gosto de armas, mas sempre considerei essa alternativa inútil, pois o que todo mundo imaginava acabou acontecendo. Quem entregou as armas? Quem não precisaria tê-lo feito. As grandes quadrilhas agora, como antes, dispõem de armas de grosso calibre, granadas, explosivos etc... O Rio Grande do Sul teve uma melhora aparente. Ocupávamos a 11.ª posição e hoje passamos ao 17.º lugar. Aparente sim, pois não houve qualquer avanço. Permanecemos com o mesmo número de casos anuais – 1.700 em termos absolutos, e exatamente o mesmo percentual: 16,3 mortes por 100.000 habitantes. Todo esforço, inclusive de nossa ONG, foi em vão. Mas o relatório, ao mesmo tempo, enche-nos de esperança. São Paulo, o Estado mais populoso do país, teve a melhoria mais expressiva. Passou de 10.600 casos por ano, para 3.800. Uma espetacular melhora 67,5%. Lá a Segurança Pública foi tratada pelos métodos tradicionais. Nada de Territórios da Paz. Aumento de efetivo, qualificação da investigação criminal e construção de vagas prisionais. Agora o estarrecedor mesmo é a comparação com as guerras no mundo. De 2004 a 2007 houve 62 conflitos. Lembramo-nos apenas daqueles que aparecem na mídia, como o Iraque e o Afeganistão, mas houve outros na Somália, no Nepal, no Congo etc. Todos eles somados produziram 208.349 óbitos. Nesses mesmos quatro anos, o pacífico Brasil, em paz, chegou quase à mesma quantia: 147.373 óbitos. Torço para que esses dados abram as cabeças das pessoas que acreditam em tratar bandido a pão de ló, em não punir, em abusar dos indultos de Natal. Rezo para que comecem a arrefecer em suas crenças e a dar-se conta de que quem entende de segurança é a policia civil, a polícia militar, os agentes penitenciários, os promotores e os juízes. São Paulo provou que o bom e velho feijão com arroz pode funcionar.